quarta-feira, setembro 20, 2006

Números...

Nesta altura do ano, normalmente estou sempre de mau humor. Primeiro porque vou ser obrigada a mudar de escola, vou ser obrigada a conhecer pessoas novas, a ter que conversar com elas e programar o meu trabalho com completos desconhecidos, o que eu detesto! A forma como trabalho tem também que se adaptar à forma dos outros trabalharem. E por ser eu quem entra, normalmente sou eu que tenho que me adaptar, muitas vezes a coisas com que não concordo. O trabalho tem novamente que começar do zero, tudo aquilo que já começava a dar frutos no anterior ano escolar, fica sem efeito e, de acordo com a escola onde estou, tenho que planificar, inventar e pensar nas alternativas aos meus tempos que tenho que dar à escola. Quase sempre tenho duas horas de sala de estudo no horário e, todos os anos tenho que planificar um projecto novo para esses tempos porque isso é que eu não suporto mesmo. Prefiro ir à escola fora dos meus tempos escolares, de acordo com o horário dos alunos, dar-lhes apoio, do que ter duas horas numa sala a dar apoio de sei lá o quê a sei lá quem... não quero conhecer mais pessoas do que aquelas que já conheço!
E, por estas razões todas, e mais algumas que não interessam, fico com um humor de cão. Rio-me disfarçadamente das barbaridades que oiço dos colegas novos, contesto em silêncio a organização da escola nova, discordo da forma como trabalha o corpo docente, conto aos meus velhos amigos o que dizem os cromos que conheci, e arranjo mil e uma coisas para fazer e pensar que me afastem da nova realidade que sou obrigada a integrar.
Este ano a minha cabeça anda cheia de números, vá-se lá saber por quê. Conto os quilómetros que faço se for por esta ou por aquela estrada, conto o número de sinais vermelhos que encontro, as ultrapassagens que me fazem, as que eu faço, as páginas que leio em cada sinal vermelho, a totalidade de páginas lidas por cada viagem, a soma da página em que iniciei a leitura com a página final, faço noves fora nada, os carros só com o motorista, os que levam passageiros, os números das matrículas dos carros, faço noves fora nada, o número de professores dentro da sala de professores, os degraus, os passos que dou para cada sala, os copos sujos, os copos lavados, o número de pessoas com sapatos, o de pessoas de chinelos, os que têm botas, faço estatística, os que combinam as cores das roupas e os que não, os que trazem casaco, os que continuam em manga curta, o número de pessoas com cor de rosa (não gosto de cor de rosa), os cabelos pintados, as franjas, os cabelos presos, os quadrados do pavimento da sala de convívio, multiplico para obter a totalidade e... este ano descobri uma nova conta que no final me agradou bastante. Fiquei a gostar imenso de um número que eu sempre achei horrível e que, nas minhas contas raramente aparece, o dois!
Dois

Porque a Carlota está quase a fazer dois anos, contei o número de dias que ela já tinha vivido, ainda só ia a um quarto da viagem, resolvi então ver quantos dias tinham vivido os queijos, fiz as contas aos anos, procurei os anos bissextos para adicionar um dia e relacionei os valores obtidos. Contei então os meus dias de vida e os do Z., mais complicado isto, mais anos bissextos, meses de nascimento diferentes, multiplicações maiores... mas a viagem ainda durava. E a conclusão a que cheguei foi esta:
. Os meus dois rapazes nasceram com dois minutos de diferença,
. A soma dos digitos do seu aniversário dá zero (noves fora nada),
. A Carlota tem exactamente menos dois mil dias do que os irmãos,
. A soma dos digitos do seu aniversário dá quatro (divísivel por dois),
. A soma dos digitos do meu aniversário dá quatro (divisível por dois)(dois quatros),
. A soma dos digitos do aniversário do Z. dá três,
. O Z. tem mais 715 dias do que eu, 13251 dias do que os queijos e 15251 dias do que a Carlota, somados dão três (dois três),
. Eu tenho mais 12536 dias do que os queijos e mais 14536 dias do que a Carlota que somados dão noves fora nada,
. Eu estive grávida duas vezes,
. E tenho três filhos (somando os três que me sobraram, dá novamente noves fora nada).
E então obtive uma coincidência de números pares, de zeros e muitos dois e fiz as pazes com o número dois que sempre me pareceu um pato desengonçado.

4 comentários:

Sofia Cavaco disse...

ai meu Deus q fiquei confusa com tanto número!!! :D

pikenatonta disse...

Bem... vai lá vai!!!! Mas que contas!! :)

Mami Reis disse...

È muito engraçada esta forma de conhecer alguém que nunca vimos.Quemé Loca?
Através das palavras,vamos conhecendo alguma coisa.Eà medida que cultivamos o blog,vamos sanendo muito mais.Gosto da maneira como escreves querida Loca.Pareces-me jovem,serás professora?Começo a deixar-me fascinar por estes viajantes da Net, que apouco epouco vão-se tornando amigos

Loca disse...

Ai muito obrigada Mami Reis pelas tuas palavras e pelo teu afecto. Sou professora de Geologia e de Biologia, gosto de artes e de hortas também.
:))